A afetividade no processo de desenvolvimento da criança é algo que deve ser levado em consideração. Os estudos de Wallon, citados por Craydy & Kaercher (2001, p. 28) sobre a afetividade vieram a trazer grandes contribuições para a aprendizagem das crianças, pois, ele diz que “o desenvolvimento da inteligência depende das experiências oferecidas pelo meio.”.

Estas experiências quando realizadas em um ambiente que propicie amor, carinho, atenções, dão condições ideais para o desenvolvimento da aprendizagem. La Taille (1992, p. 36) afirma que o ser humano é “organicamente social, isto é, suas estruturas orgânicas supõem a intervenção da cultura para se atualizar.” Esta relação homem-meio-cultural torna o homem um ser relacional.

Na psicogenética de Wallon, a dimensão afetiva ocupa com este pensamento o lugar central, tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto do conhecimento. Conforme sua teoria a emoção é um instrumento de sobrevivência típico da espécie humana, que se caracteriza pela escassez da prole e pelo prolongado período de dependência.

Esta postura da afetividade mostra o quanto é importante a fase da infância para as crianças e para a sua formação. A infância é a fase em que está acontecendo a formação da personalidade do indivíduo, o que nem sempre é entendido pelos adultos. As crianças precisam de carinho, elogios, segurança, orientação, controle e aceitação para desenvolver-se.

Conforme o pensamento de Cloyd (2000, p. 12) “as crianças precisam de tempo e espaço para crescer no seu conhecimento a respeito de Deus.” Portanto é papel da igreja orientar e auxiliar neste processo.

É na igreja que muitas vezes começa a relação da criança com o elemento fé. O estudo de Fowler (1981) sobre o desenvolvimento da fé concluiu que há seis estágios nesta área. Ele vê estes estágios como previsíveis e irreversíveis, e acredita que avançam de um grau de complexidade para outro durante toda a vida. Cada um passa pelos estágios da fé, cada um no próprio ritmo, podendo até ficar preso em um desses estágios da fé, sem nunca avançar para outro.

Fowler (1981, pp.122-200) assim classifica os estágios da fé:

  • Estágio 1 – fé intuitiva e projetiva (2 a 7 anos) – a criança não é capaz de raciocinar logicamente, e usa a intuição para tentar entender o que é Deus;
  • Estágio 2 – fé místico-literal (de 7 a 11 anos) – a criança raciocina de forma literal, e entende a fé através de história, crenças e experiências dos seus companheiros de fé;
  • Estágio 3 – fé sintético-convencional (de 12 a 18 anos) – a pessoa decide pela fé de sua família ou de seu grupo social;
  • Estágio 4 – fé individual-reflexiva (de 18-30 anos) a pessoa começa a ter seu próprio pensamento sobre a fé, e tem a capacidade de expressar a sua crença. É quando as pessoas começam a serem responsáveis para com os seus compromissos;
  • Estágio 5 – fé conjuntiva – a pessoa começa a ver que as coisas nem sempre são decisivas. Durante este estágio, a fé não responde a todas as perguntas;
  • Estágio 6 – fé universalizada – a pessoa vive intensamente a sua fé. Em tudo que faz expressa sua fé e sua convicção religiosa.

A forma como a criança ora, as palavras que ela usa e os pensamentos que ela expressa certamente são indicações de sua idade e estágio. De acordo com o ambiente ao qual ela foi sujeitada, sua fé pode ser manifestada por uma relação afetiva com Deus ou de total indiferença para com Ele.

Entender melhor a criança para uma Educação Cristã Relevante aponta para a necessidade do próximo elemento da educação a ser destacado: o professor.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CLOYD, Betty Shannon. Papai do céu… ensinando o valor da oração. São Paulo: Eclésia, 2000.

CRAIDY, Carmem; KAERCHER, Gládis E. Educação Infantil: pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001.

FOWLER, James. Stages of faith: the psicology of human development and the quest for meaning. São Francisco: Harper and Row, 1981, pp122-200.

LA TAILLE; OLIVEIRA e DANTAS. Piaget, vygotsky, wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.

VYGOTSKY, Leontiev Luria. A formação social da mente. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1987.