Em toda a história da educação infantil a concepção de “Criança” por várias vezes não recebeu a devida atenção como recebe na atualidade. Até parece que elas nem faziam parte da sociedade.

Mas, segundo Cloyd (2000, p.11) “as crianças são um presente de Deus, e, por isto, devem ser o nosso tesouro mais precioso.” A criança precisa ser valorizada. Precisa encontrar seu espaço em uma sociedade que busca ser igualitária.

No transcorrer da história alguns pensadores formularam ideias a respeito das crianças, como John Locke que “acreditava que a mente infantil é uma tabula rasa, uma tela em branco, podendo receber todo o tipo de aprendizagem.” Por outro lado Jean-Jacques Rousseau citado em Mussen, Conger & Kagan (1977, p. 5) acreditava “que a criança está dotada de um senso moral inato.” A criança é um ser em contínua evolução, completamente diferente de um adulto. Ela não deve ser tratada como um ser que não entende nada, mas como alguém que está iniciando seu caminho no conhecimento de mundo. Ao constituir o seu conhecimento no meio em que vive a criança adota formas culturais que transformam seu jeito de expressar, pensar e agir.

Procurando entender a criança dentro do seu momento histórico e as relações culturais em que está envolvida, vários educadores entre eles Piaget, Wallon e Vygotsky formularam estudos sobre o assunto. Segundo Crayd e Kaercher (2000, p.27) estes pensadores “tentaram mostrar que a capacidade de conhecer e aprender se constrói a partir das trocas estabelecidas entre o sujeito e o meio”, o que vem reforçar o pensamento de Brandão quando fala da educação social e o quanto isto influencia também na formação integral da criança.

Segundo Gangel & Hendricks, (1999, p.122) a obra piagetiana mostra que há quatro estágios principais do desenvolvimento intelectual: sensório-motor (de 0 a 18 meses), pré-operacional (dos 18 meses aos 7 anos), operatório-concreto (dos 7 aos 12 anos) e, por último, lógico-formal (dos 12 anos em diante). Cada fase tem um tempo marcado pela idade cronológica. Respeitar cada fase é permitir um correto desenvolvimento, e garantia de que a formação da criança poderá ser concluída com êxito.

Para Vygotsky o relacionamento da criança com pessoas, objetos e o meio cultural determinam uma educação sociointeracionista e segundo La Taille (1992, p. 14) “o ‘ser social’ de mais alto nível é justamente aquele que consegue relacionar-se com seus semelhantes de forma equilibrada”. Acreditar e investir nas crianças facilitará o processo de adaptação com o mundo. Ela poderá interagir melhor a medida que a comunidade a qual ela pertence consiga integrá-la para cumprir o seu papel.

Conforme os estudo feito por La Taille (1992, p. 30) Vigotsky afirma que a questão principal quanto ao processo de formação de conceitos é a “questão dos meios pelos quais essa operação é realizada.” Esta relação é de grande importância pois não se pode ver a criança como vários “seres”, mas apenas um e que em sua totalidade possui muitos aspectos individuais e especiais.

Vygotsky (1989, p. 51) propõe então uma visão unificada das dimensões afetivas e cognitivas do funcionamento psicológico, o que amplia o pensamento com relação a formação da criança em desenvolvimento. Aprende-se através das relações sociais entre o indivíduo e o mundo.

Esta relação afetiva lembra a postura de Jesus com as crianças, relatada no Livro de Marcos Capítulo 10 versículos de 13 a 16. A sua forma de ensinar e ver cada uma das pessoas como indivíduos, e mostrar muito carinho, afeto, sempre propiciaram experiências em que houve relações de ensino-aprendizagem com cada uma das pessoas que Ele pode conversar.

A afetividade no processo de desenvolvimento da criança é algo que deve ser levado em consideração. Os estudos de Wallon, citados por Craydy & Kaercher (2001, p. 28) sobre a afetividade vieram a trazer grandes contribuições para a aprendizagem das crianças, pois, ele diz que “o desenvolvimento da inteligência depende das experiências oferecidas pelo meio.”. Estas experiências quando realizadas em um ambiente que propicie amor, carinho, atenções, dão condições ideais para o desenvolvimento da aprendizagem.

É esta postura da afetividade que mostra o quanto é importante a fase da infância para as crianças e para a sua formação. A infância é a fase em que está acontecendo a formação da personalidade do indivíduo, o que nem sempre é entendido pelos adultos. As crianças precisam de carinho, elogios, segurança, orientação, controle e aceitação para desenvolver-se.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CLOYD, Betty Shannon. Papai do céu… ensinando o valor da oração. São Paulo: Eclésia, 2000.

CUNHA, Maria Auxiliadora Versiani. Didática fundamentada na teoria de piaget – a nova metodologia que veio revolucionar o ensino. São Paulo: Editora Forense, 1972.

CRAIDY, Carmem; KAERCHER, Gládis E. Educação Infantil: pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001.

DEMO, Pedro. Professor do futuro e reconstrução do conhecimento. Rio de janeiro: Vozes, 2004.

DORNAS, Lécio. Vencendo os inimigos da escola dominical. São Paulo: Eclésia, 1998.

FOWLER, James. Stages of faith: the psicology of human development and the quest for meaning. São Francisco: Harper and Row, 1981, pp122-200.

GANGEL, Keneth; HENDRICKS, Howard. Manual de Ensino para o educador cristão – compreendendo a natureza, as bases e o alcance do verdadeiro ensino cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

LA TAILLE; OLIVEIRA e DANTAS. Piaget, vygotsky, wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.

MUSSEN; CONGER e KAGAN. Desenvolvimento da personalidade da criança. São Paulo: Editora Harper, 1977.

VYGOTSKY, Leontiev Luria. A formação social da mente. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1987.

WILKINSON, Bruce. As 7 leis do aprendizado: como ensinar quase tudo a praticamente qualquer pessoa. Belo Horizonte: Editora Betânia, 1998.