Me. Gabriel Maurilio
Drª Marivete Zanoni Kunz

RESUMO

A pesquisa apresenta as origens norte-americanas  da Teologia da Prosperidade, bem como seus principais propagadores. O artigo traz alguns textos bíblicos que são utilizados pela Teologia da Prosperidade, como ensinamento para sucesso financeiro na vida do cristão. Foram utilizadas como material de pesquisa algumas fontes primárias, bem como secundárias para buscar as respostas necessárias referentes aos ensinos da Teologia da Prosperidade e suas interpretações bíblicas.

Também é apresentada, de forma breve, a situação atual que igrejas brasileiras têm enfrentado por influência dos ensinos da Teologia da Prosperidade.

INTRODUÇÃO

Este  artigo apresentará  a origem norte-americana do movimento conhecido como Teologia da Prosperidade. A pesquisa procurará abordar os principais textos que fundamentam esta “teologia” com os seus ensinos referentes à área financeira. Sabe-se que os pregadores da Teologia da Prosperidade fazem uso da vida de alguns personagens, como Abraão, Jacó e o rei Salomão, bem como ensinos de Jesus e do apóstolo Paulo para fundamentar algumas interpretações relacionadas às bênçãos financeiras.

Sendo assim, nesse primeiro momento, este artigo visa conhecer a origem da doutrina da Teologia da Prosperidade: em que cidade começou, seu fundador, qual seu pensamento e fundamentos para tal ensino, seus sucessores em outras cidades e países.

Os ensinos desta teologia geram alguns questionamentos: é possível que determinados textos bíblicos realmente ensinem que há possibilidade de crescer financeiramente pela prática dos dízimos e ofertas? O que os textos utilizados pela Teologia da Prosperidade ensinam? É possível falar em crescimento financeiro a partir da ênfase dos textos mencionados pelos pregadores da Teologia da Prosperidade? Desta forma, faz parte do objetivo   deste artigo compreender como surgiu a Teologia da Prosperidade, quem foi o seu fundador, bem como verificar se as passagens do Antigo e Novo Testamento utilizadas por esse grupo realmente estão coerentes com seus ensinos.

No atual século, esse movimento é visto especialmente dentro das igrejas neopentecostais onde se prega e ensina aos seus membros, que o cristão tem que ser vitorioso em todas as áreas de sua vida: espiritual, física e financeira.

As referências teóricas para debater a Teologia da Prosperidade serão: comentários   bíblicos do Antigo e Novo Testamento e obras como: “Supercrentes”, “Evangélicos em crise”, “Decepcionados com a graça”, do autor Paulo Romeiro; “O evangelho da prosperidade”, escrito por Alan Pieratt; “O Evangelho da nova era”, de Ricardo Gondim; “Cristianismo em crise”, escrito por Hank Hanegraaff, e outros.

Nesse artigo, apresentar-se-á um panorama da origem da Teologia da Prosperidade,   bem como de seus ensinos, os quais têm influenciado algumas igrejas   brasileiras. Inicialmente será abordada a Teologia da Prosperidade e sua origem, considerando questões como: quem foi seu fundador; seus ensinos. Para complementar, serão abordadas questões sobre a vida do propagador da Teologia da Prosperidade, personagem que levou adiante e popularizou os ensinos do fundador; será verificada a compreensão e interpretação   do propagador sobre textos bíblicos utilizados na pregação e no seu ensino sobre prosperidade; na sequência, serão apresentadas suas supostas visões, no que diz respeito às visitas de Jesus e as suas novas revelações bíblicas, bem como a sua fórmula “mágica”, isto é, como ele divide as condições da confissão positiva para o cristão receber seus direitos (riquezas) esta vida. Na continuidade, será apresentado o nome dos principais discípulos do propagador nos Estados Unidos, os quais deram continuidade e reforçaram os ensinos referentes à Teologia   da Prosperidade. Por fim, será abordada a Teologia da Prosperidade na atualidade, a qual tem desviado o verdadeiro foco de alguns grupos cristãos, que, ao invés de pregarem o Evangelho, pregam uma vida de riquezas aqui na Terra. chamar as coisas que não eram como se já fossem, e assim acontecia aquilo que tinha confessado.

O seguidor de Kenyon dizia que, embora o cristão seja humano, nunca deveria confessar o medo, pois o medo não provém de Deus. O medo não vem de dentro do cristão, e sim de fora, é obra do Diabo que quer ter domínio sobre o cristão. Na opinião de Hagin, isto pode ser aplicado a respeito da dúvida, ou seja, o cristão não pode confessar as suas dúvidas; mesmo que tiver dúvida não pode confessar, pois a dúvida é do Diabo e não pertence ao cristão.

Outro motivo que levaria o cristão a perder a sua bênção, segundo Hagin,   seria fazer a confissão errada, uma confissão de derrota, de fracasso e da supremacia do Diabo. A confissão correta é a que o cristão dá um testemunho de uma verdade que ele aceita, testifica de alguma coisa que sabe e afirma algo em que crê.

Hagin afirma que Deus chama as coisas que não existem como se já existissem, é porque Ele é o Deus da fé, e todo o cristão deve agir como Deus e chamar as coisas que não existem como se já existissem.

Deus usa o poder das palavras, pois Ele falou a Palavra e então surgiu a terra, o reino vegetal, o reino animal, a lua, o sol, as estrelas e o universo. Então ele ensinava que, se o cristão crer de todo o coração, dizer com a boca aquilo que crê a obra seria realizada.

Toda a doutrina da Teologia da Prosperidade começou com Kenyon.

Com efeito, Hagin popularizou e aumentou os ensinos de Kenyon e, por meio desta nova “teologia” aperfeiçoada, Hagin expandiu seus ensinos teológicos e fez novos “discípulos”, que estão dando continuidade aos seus   ensinos. No próximo subponto será apresentado o nome dos principais discípulos de Hagin nos Estados Unidos, os quais deram continuidade e reforçaram com novos ensinos referentes à Teologia da Prosperidade.

  1. DISCÍPULOS NORTE-AMERICANOS DE KENYON/HAGIN

Kenneth Hagin Jr é o sucessor do ministério de seu pai, seguindo o mesmo caminho da Teologia da Prosperidade. Atualmente é presidente dos Ministérios Kenneth Hagin e pastor titular da “Igreja Bíblica Rhema”. É formado em teologia pela “Southwestern Assemblies of God University” e graduado na “Universidade Oral Roberts”, em Tulsa, Oklahoma. Hagin Jr iniciou seu ministério como pastor auxiliar e evangelista itinerante.

Por fim, Frederick K. C. Price também faz parte dos pregadores da Teologia da Prosperidade. Ele é fundador e pastor da “Igreja Crenshaw Christian Center”, em Los Angeles, na Califórnia, e da “Igreja Crenshaw Christian Center East”  em Manhattan, em Nova Iorque. Possui programa de televisão que se chama “ Ever Increasing Faith ” (Fé Sem Limites), e está no ar há mais de vinte anos, com audiência em quinze maiores centros da América, alcançando mais de quinze milhões de pessoas, além de possuir uma rádio que é ouvida por todo o globo. Em 1990, Price fundou o “ Fellowship   of Inner-City Word of Faith Ministries

”   (Convenção   dos Ministérios Palavra da Fé da Periferia), que tem mais de 300 igrejas em todos os Estados Unidos. Também possui um título em Divindade pela Oral Roberts   University e um diploma honoris do “ Rhema Bible Training Center ”.

Segundo Hanegraaff, Price fala que Deus não pode fazer nada na dimensão terrena, exceto se o corpo de Cristo lhe der permissão. Price também acredita que Adão entregou a Terra ao Diabo, então Deus ficou impedido de entrar no reino da Terra, ou seja, não podia realizar nada.

Decorrente deste fato, Deus precisava de um convite para voltar a Terra e viu Noé e outros, mas só com Abraão conseguiu ser convidado e retomar o seu plano de partida.

De acordo com Hanegraaff, Price é um dos mais notáveis dentre os pregadores da Teologia da Prosperidade, sua igreja em Los Angeles tem cerca de 16 mil membros, diz que Kenneth Hagin foi o homem que mais influenciou seu ministério. Também se autodenomina o principal expoente do “Nomeie-o e Reivindique-o”, ou seja, aquilo que o cristão quer é só pedir e requerer a sua bênção. Ainda mais, a oração do Pai nosso não tem valor nenhum, pois quando o cristão diz: “Se for da Tua Vontade ou seja, feita a Sua Vontade” está chamando Deus de idiota.

Para Price, a punição de Jesus ter morrido numa cruz não foi o suficiente para salvar pecadores; se fosse este o caso, os dois ladrões poderiam ter pago o preço. Para ele, a verdadeira salvação só aconteceu quando Jesus entrou no inferno e ficou separado de Deus, para que se cumprisse em si a sentença do pecador.

Ele também ensina que fé é uma força que possui um poder próprio, e que o cristão tem que aprender a dominar sua fé, pois a fé é uma força real que, quanto mais o cristão a domina, mais tem o poder para resolver qualquer problema em sua vida, como quitar uma dívida ou receber uma cura. Enfatiza que realmente, se o cristão tiver fé, pode receber um milhão de dólares, mas para isto tem que

requerer a força de fé e não apenas pensar sobre a possibilidade de ganhar essa quantia de dinheiro. Afirma que a fé é uma substância e ensinado por Jesus e seus apóstolos.

Tudo   isto ocorre   porque em algumas   igrejas brasileiras há   uma carência na área teológica,   em que falta conhecimento de sua   raiz histórica, de onde provêm as principais doutrinas do cristianismo, tais como: a autoridade das Escrituras, justificação pela graça mediante a fé, a centralidade de Cristo e outros.

A   influência   da teologia   norte-americana   em algumas igrejas brasileiras tem promovido um evangelho mais prático que reflexivo, ou seja, o que importa é “fazer”, não importa se o ensino está “certo”. Os resultados positivos, mesmo com ensinos duvidosos, e o crescimento numérico de membros nas igrejas, são mais importantes que uma teologia bíblica. Outro fator questionável é que uma parte do povo brasileiro se importa muito mais com o que sente, o crer está relacionado ao fator experimental com uma base subjetiva de fé; quer dizer, a experiência é mais importante do que uma verdade bíblica.

Romeiro afirma que a falta de conhecimento teológico em algumas igrejas tem sido o fator principal para receberem influência dos ensinos da Teologia da Prosperidade e, em consequência disso, muitos ensinamentos bíblicos, como salvação, justificação, santificação e outros, são deixados em segundo plano. Desse modo, muitos cristãos têm deixado de seguir o que a Bíblia diz e têm seguido pregadores da TV, com seus ensinamentos triunfalistas ensinados pela Teologia da Prosperidade.

Romeiro também destaca alguns pontos positivos que a Teologia da Prosperidade ensina, como: fazer orações com fé, crer verdadeiramente nas promessas de Deus e possuir uma mente positiva. Pois, conforme a Teologia da Prosperidade, um cristão não pode ser pessimista, mas deve refutar   os ensinos contrários à Palavra de Deus com seus pontos negativos, como limitar a soberania de Deus, dizer que Jesus morreu espiritual e fisicamente recebendo a natureza de Satanás, divinizar o ser humano.

Para   Romeiro,   a Teologia   da Prosperidade   tem suas origens   no “movimento religioso” chamado gnosticismo, o qual era conhecido nos séculos I e II da era cristã. Esse grupo dizia que havia uma verdade especial, mais elevada, acessível somente aos iluminados por Deus. Sendo assim, esta  “verdade especial” dos gnósticos e os novos ensinos da Teologia da Prosperidade são diferentes dos ensinamentos bíblicos.

Segundo   Hanegraaff,   aqueles que   fazem parte da   Teologia da Prosperidade   em sua maioria não estão   filiados a uma organização muitas vezes mais sinceros que aqueles que se chamam ortodoxos, porém sua   vontade de servir a Deus deve conter uma teologia bíblica verdadeira.

Hanegraaff   afirma que   existem muitos   crentes sinceros dentro   deste movimento, e outros   que também se achegam neste movimento   que estão alheios aos ensinamentos da Teologia da Prosperidade, pois não conseguem compreender e discernir os ensinos apresentados pelos líderes deste movimento, mas nem sempre é este o caso.

Mas, como afirma Pieratt, todos os pastores e líderes da igreja têm a   responsabilidade de examinar e avaliar cuidadosamente qualquer doutrina que desafie o cristianismo bíblico. Também é necessário lembrar que não se pode questionar a salvação das pessoas que estão dentro deste movimento, toda correção deve ser feita com amor.

De certa forma, a Teologia da Prosperidade, como doutrina, é um ensinamento novo na história da igreja, pois parece que nada parecido com este ensino foi visto antes. Entretanto, isso não quer dizer que ele surgiu de modo repentino. Como todo movimento ele se desenvolveu com o tempo, ou seja, tem raízes ligadas a pessoas, épocas e lugares diversos, todo   ensino tem uma origem e a Teologia da Prosperidade não é diferente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Teologia da Prosperidade, também conhecida por Palavra de Fé, Ensino   da Fé, Confissão Positiva e Evangelho da Prosperidade, tem influenciado algumas igrejas tradicionais e pentecostais brasileiras. Esta Teologia traz uma nova interpretação, que troca as boas novas por solução de problemas. Também ensina que a marca do cristão verdadeiro consiste em ter muita fé, ser bem-sucedido, ter boa saúde física, emocional e espiritual, isto inclui a prosperidade financeira, mas, se o cristão é pobre ou está doente, são resultados de pecado ou falta de fé. Neste aspecto, a Teologia da Prosperidade tem atraído grande número de pessoas que passam por estas dificuldades, mas, para receber estas bênçãos, inclusive a financeira, o cristão tem que ofertar na igreja para recebê-las, em forma de barganha.

Um dos motivos da Teologia da Prosperidade ter ganho espaço nas igrejas brasileiras é a carência na área teológica. Neste sentido, há falta de   conhecimento das principais doutrinas do cristianismo, como a autoridade das Escrituras, justificação pela graça mediante a fé em Jesus Cristo e outros. Outro fator negativo é que uma parte do povo brasileiro se importa   mais com a experiências pessoais do que com as verdades bíblicas. A consequência desse ensino é trazer um sério risco para as futuras gerações, que receberão um evangelho diferente, comprometendo a simplicidade do evangelho ensinado por Jesus Cristo e seus discípulos.

A origem da Teologia da Prosperidade está ligada ao gnosticismo, movimento religioso do século I e II depois de Cristo. Este grupo afirmava ter uma verdade especial, mais elevada, que era acessível somente aos “iluminados” por Deus. Neste aspecto tanto os gnósticos como os ensinos da   Teologia da Prosperidade vão além dos ensinos das Sagradas Escrituras, pois são diferentes dos ensinos bíblicos. Os adeptos da Teologia da Prosperidade, na sua maioria, são pessoas ligadas a igrejas neopentecostais, pois elas não sustentam os   mesmos ensinamentos doutrinários, mas apenas concordam com as doutrinas referentes à saúde perfeita e à prosperidade financeira.

Na igreja primitiva, os apóstolos já alertavam os cristãos para cuidar dos desvios doutrinários, pois os falsos profetas se infiltrariam na igreja e introduziriam falsos ensinos para desviar o povo de Deus. Desta forma, os pastores e líderes das igrejas têm a responsabilidade de examinar e avaliar cuidadosamente qualquer doutrina que seja diferente dos ensinos bíblicos.

A Teologia da Prosperidade teve origem nos Estados Unidos, no ano de 1930. Seu fundador foi Essek William Kenyon, que, apesar de ter passado por igrejas tradicionais e pentecostais, foi influenciado pelos ensinos filosóficos pelas seitas metafísicas conhecidas como Igreja da Ciência religiosa, Ciência Cristã e outros. Sua pregação principal era sobre cura divina e suas principais posições doutrinárias foram: o ser humano é dividido em espírito, alma e corpo, porém o mais importante é o espírito; Deus criou o mundo pela palavra da fé e todo cristão deve proferir palavras da fé para ter aquilo que deseja, inclusive Kenyon usou a palavra da fé para ganhar dinheiro; ensinando que, na queda, Adão perdeu a autoridade sobre a terra e Satanás se tornou o deus deste mundo e, que por meio da confissão positiva, com o tipo de fé de Deus, o cristão pode vencer a doença e a pobreza.

Embora Kenyon seja o fundador da Teologia da Prosperidade, foi Kenneth Hagin que popularizou este ensino, que é hoje em dia um dos maiores   movimentos que tem crescido no mundo evangélico na atualidade. Hagin ensinava que a prosperidade financeira era um direito do cristão, pois fazia parte da expiação feita por Jesus Cristo na cruz do Calvário, e que tanto a doença como a pobreza nunca representaram a vontade de Deus. Hagin criou algumas fórmulas e afirmava que estas poderiam livrar os cristãos da miséria, bastava seguir um conjunto de regras de cinco condições para alcançar seus direitos na área da saúde e da prosperidade financeira nesta vida.

Muitos discípulos de Hagin estão levando adiante os seus ensinos, como se era de esperar, também estão aprimorando os ensinos referentes à   prosperidade financeira, como seu filho Kenneth Hagin; Kenneth Copeland; Morris Cerullo e Frederick K. C. Percebe-se que a doutrina da Teologia   da Prosperidade, iniciada por Kenyon, foi popularizada e aperfeiçoada por Hagin, principalmente na parte da prosperidade financeira. Hagin, por sua vez, ganhou adeptos que continuaram a ensinar e aprimorar os ensinos referentes a riquezas, sendo que este ensino parte do   pressuposto de um entendimento extra bíblico, pois possui uma interpretação voltada principalmente aos desejos humanos de ter uma vida cheia de fartura e regalias aqui nesta terra.