Exclusão é um tema que permeia em todos os segmentos da sociedade. Ele aparece de várias formas e algumas vezes revestido com uma capa de piedade, na tentativa de apresentar um disfarce para ocultar a face de uma crueldade despercebida.

A exclusão permite uma retórica de diferentes qualidades. Parte de uma desigualdade oriunda da deficiência física, falta de espaço no convívio social, rejeição da sociedade, injustiça social ou exploração independente de um grupo socialmente organizado.

A exclusão não pode ser observada apenas como uma questão individual, mas numa abrangência social. O mundo contemporâneo proporciona a fundamentação para o foco da exclusão no âmbito universal.

O processo da exclusão caminha no percurso ascendente, ou seja, atinge a todas as camadas sociais. Existem várias causas que proporcionam a exclusão na sociedade. Pode-se citar entre elas, o crescimento desordenado das cidades, o sistema educacional enfraquecido pela uniformidade e inadequação, a qualidade profissional que gera constantes mudanças na moradia, as diferenças de renda e o acesso aos serviços essenciais.

A exclusão não deve ser apenas atribuída àqueles que estão vivendo a desgraça da pobreza real, muitas vezes rejeitados fisicamente, geograficamente. A prática é abrangente porque existe a anulação de valores que não são reconhecidos, como por exemplo, valores espirituais e culturais.

A pobreza não significa necessariamente uma exclusão, no entanto, pode ser um meio pelo qual isso aconteça. A pobreza é percebida através de um fenômeno multidimensional envolvendo uma população empobrecida pela precária inserção no mundo do trabalho. Não é resultado somente da ausência de renda, mas também a falta de acessibilidade aos serviços públicos e a ausência de poder, provocando uma reação a ser analisada a partir do espaço democrático.

A fragilidade dos laços no mundo das relações sociais, abrem as rupturas que proporcionam isolamento social e consequentemente à solidão. De acordo com Nascimento (1995, p. 25) esse fenômeno é um conceito de apartar em vez de discriminar. A apartação social designa um processo pelo qual se denomina o outro como um ser “a parte”, (apartar é um termo utilizado para separar o gado), ou seja, o fenômeno de separar o outro, não apenas como desigual, mas como um “não semelhante”, um ser expulso não somente dos meios de consumo, dos bens, serviços, etc., mas do gênero humano. É uma forma contundente de intolerância social.

A exclusão não é apenas entendida pela fenomenologia, mas existe também a interpretação a partir do excluído. Assim, a desigualdade social contempla uma sociedade dupla em que se encontram as mesmas coisas, as mesmas ideias individualistas, a mesma competição com uma diferença, as oportunidades são totalmente desiguais.

A imagem que o ser humano tem de si próprio, encontra-se ligada àquela do grupo que pertence, o que conduz a defender os valores ligados a ele. Essa proteção incitaria a diferenciar e, em seguida, a desqualificar, vindo a excluir todos aqueles que não estão nele. A desqualificação social corresponde a uma das possíveis formas de relação entre a população designada como pobre e o resto da humanidade. À essa situação de pobreza também acontece a ruptura dos vínculos sociais, quando cessam todos os tipos de ajuda e as pessoas enfrentam problemas em todas as áreas. Elas saem do convívio social e passam a enfrentar situações de marginalidade em que a miséria corresponde a dessocialização.

A exclusão provoca vários tipos de situações àqueles que estão vivendo a apartação social. Entre eles pode se destacar: falta de moradia, afastamento do mercado de trabalho, problemas de saúde, rompimento com a família, ausência da educação e descrédito social. A desqualificação social pode ser caracterizada pelos sucessivos fracassos gerando a falta de esperança para encontrar uma saída. Gera um sentimento de inutilidade para a coletividade e exclusão da sociedade. Essa situação evidencia a extensão dessa postura colocada por uma sociedade capitalista neoliberal.

Na perspectiva de Sella (2002, p. 13) a exclusão social é o fruto amargo da sociedade moderna, apesar dos tantos avanços em seus vários setores. Não se trata apenas de uma exclusão do mundo do trabalho, considerada uma das consequências mais duras do capitalismo neoliberal, através do fenômeno do desemprego, mas também da exclusão dos outros bens básicos: saúde, educação, alimentação, moradia, terra, lazer, etc.

Trata-se de exclusão da dignidade humana, criando uma enorme massa de descartáveis, os sem-nada. A desigualdade social, econômica e política na sociedade, apresentam uma incompatibilidade com a democratização da sociedade. Por decorrência, tem se falado da apartação social. A discriminação pode ser econômica, cultural e política, além de étnica. Este processo deve ser entendido como exclusão, Isto é, uma impossibilidade de poder partilhar o que leva à vivência da privação, da recusa, o abandono e da expulsão, com violência, de um conjunto significativo da população, por isso, uma exclusão social e não individual.

Não se trata de um processo individual, mas de uma lógica encontrada em várias formas de relações econômicas, sociais, culturais e políticas. Esta situação de privação coletiva é que se está entendendo como exclusão social. Ela inclui pobreza, discriminação, subalternidade. Ela proporciona injustiça, inacessibilidade e o silêncio público.

Diante da realidade excludente cabe à Igreja e movimentos sociais a missão de contribuírem para a construção de uma lógica baseada na defesa da dignidade do ser humano. A sociedade necessita de homens e mulheres que vivam os valores e princípios éticos pautados pelo livro sagrado para os cristãos, a Bíblia.

            É indispensável a contribuição na desconstrução da política discriminatória e construção da política da valorização do humano através dos cidadãos e das cidadãs que professam a fé em Cristo e acreditam que são importantes nesse processo da transformação social.

REFERÊNCIAS

HOFFMANN, A. A cidade na missão de Deus. Curitiba: Encontro, 2007.

KUNG, H. Uma ética global para a política e a economia mundiais. Petrópolis: Vozes, 1994.

NASCIMENTO, E.P. Modernidade ética: um desafio para vencer a lógica perversa da nova exclusão. Rio de Janeiro: FASE, 1995.

SELLA, A. A globalização neoliberal e exclusão social. São Paulo: Paulus, 2002.