Domingo, dia do Senhor, a igreja reunida para mais um culto, momentos de alegria e adoração a Deus. Louvor se inicia, músicas são cantadas, a pregação é proferida e o desafio pronunciado: quem quer fazer parte da grande obra do Senhor? Neste momento a alegria exultante dos rostos que permaneceram por quase uma hora pulando e dançando diante do Senhor, e por 15 minutos ouvindo sua palavra de conforto, de vitória e libertação, se esvanecem… e a pergunta fica no ar… procurando por alguém que diga sim como resposta. Aqui e ali uma mão se levanta timidamente, e os olhares todos se voltam a quem pertence esta mão. Mais um missionário, pastor, líder se levanta?

A vocação dada pelo Senhor aos discípulos (Lucas 6.13), a Paulo (Atos 9.3-6) ou a cada um de nós (2 Coríntios 5.17-21, João 15.9-17) é única e faz parte do propósito de Deus a cada crente, pois como vocacionados somos chamados a fazer diferença na sociedade a qual vivemos, sendo sal e luz, anunciando as boas novas do Evangelho do Senhor Jesus.

O chamado para obra do Senhor é indiscutível. Da resposta dada por Isaías (Isaias 61.1), o chamado de Ananias (Atos 9.15) e ainda o Ide dado por Jesus (Mateus 28.19-20) muitos foram os homens e mulheres que tocados pelo Senhor se dispuseram a serem participantes de sua obra.

O mundo clama por paz, por amor, e por mais tantas coisas que venham a trazer ao ser humano tranquilidade e harmonia ao seu viver. E as almas destes homens e mulheres, clamam por Jesus, para ter um encontro pessoal, que modificará suas vidas. Em meio a este desafio a igreja do Senhor precisa cumprir seu papel de capacitar, e desafiar seus membros para que possam compreender sua vocação, e através dela, aceitar o chamado do Senhor. A obra é extensa. Poucos são os trabalhadores para esta obra. E ainda menos se fala, se estuda, ou se procura compreender este desafio.

O que tem me preocupado é o fato de que entre o novo ar condicionado, ou mesmo os bancos almofadados, ou ainda a beleza dos templos, a igreja tem se perdido em si mesma embelezando-se para que seus membros cada vez mais cheios de tantos sermões de vitória e libertação possam acomodados vislumbrar o Reino do Senhor aqui na terra, absorvidos pelo ativismo que a igreja promove. E cada vez mais o povo de Deus passa mais e mais tempo dentro da Igreja. Quando olho uma igreja tão bonita, procuro olhar para o bairro onde está; e o contraste chega a ser gritante: igrejas bonitas parecem estar em bairros feios… Que papel tem desempenhado a igreja no local ao qual esta inserida? Creio estar na hora da igreja voltar para sua essência, para seu chamado, para sua vocação, de levar a Palavra de Deus a todos, auxiliando assim aos vocacionados com seu chamado.

Oro para que as pessoas não se preocupem excessivamente com o ar condicionado e com os bancos tão confortáveis, a fim de que o povo de Deus entenda que seu lugar é no mundo, pregando, ensinando, fazendo a diferença. E que ainda nos púlpitos a palavra de Deus seja pregada, para que muitos dentre o povo de Deus possam, então, fazer a sua parte: aceitar sua vocação e, ouvindo o chamado, praticá-lo, preparando-se para o serviço do Reino de Deus.